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Apresentação e História do Acervo

O Clube 24 de Agosto, é um clube social negro, fundado em 1918 na cidade de Jaguarão, fronteira do Brasil com o Uruguai. Instituição centenária, vem resistindo a diferentes adversidades ao longo do tempo. Em 2007, o Clube teve sua sede encaminhada para leilão, devido a dívidas com o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD), o que acarretou uma luta intensa de sua comunidade contra a perda do seu território. Neste processo de mobilização, o Clube foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Estado do Rio Grande do Sul em 2012. Após intensa luta, em 2016, a pedido do Ministério Público, a Justiça anulou a penhora do terreno do Clube, declarando a existência de “enfiteuse”, reconhecendo o bem como de interesse público do município e impenhorável. Foi neste contexto, desta luta, que o espaço do Acervo do Clube 24 de Agosto foi fundado em 2014. A diretoria e comunidade do Clube entendeu que era fundamental construir um espaço de salvaguarda da memória da instituição e dos diferentes protagonismos negros da cidade. Inicialmente foi realizado em uma pequena sala, que depois foi ampliada. O trabalho neste acervo, conta desde o início com a parceria da Universidade Federal do Pampa, mais especificamente do curso de História-Licenciatura. E já contou, nestes mais de dez anos, com diferentes pessoas que contribuíram ao longo deste tempo, no engajamento na higienização, salvaguarda e disponibilização do acervo ao público. O acervo conta com mais de 600 fotografias, salvaguardadas, higienizadas e digitalizadas. Conta também com outras tipologias de documentos, como os livros atas do Clube, que abarcam dos anos 1950 até os dias atuais, ofícios enviados e recebidos, recortes de jornais, fichas e carteirinhas de sócios, contratos de bandas, e objetos utilizados ao longo do tempo na instituição. Ainda, o Clube agregou acervos de outros clubes negros da cidade, como o Clube Suburbanos (fundado em 1962, já extinto), o Bloco de Carnaval O Negrão, e acervos pessoais, como de Maria Cezarina Cardozo, a Dona Mocinha, importante carnavalesca da cidade. Atualmente, está ocorrendo o cadastro do acervo fotográfico e documental na plataforma Tainacan, para num futuro próximo, ficar disponível para acesso ao público em geral na internet. Vale ressaltar por último, que este acervo é conectado com a comunidade, nestes mais de dez anos, com diferentes atividades de Educação Patrimonial e História Pública, que envolveram exposições, projetos educativos antirracistas, destacando-se a Oficina dos Territórios Negros, formulada em 2011, e que desde então, é ofertada como projeto permanente junto às escolas da cidade.